Desemprego e agravamento da crise do mercado de trabalho, por Ana Luíza Matos

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Foto: Valdecir Galor/ SMCS

Da Fundação Perseu Abramo

Boletim de Política Social

por Ana Luíza Matos de Oliveira, economista

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) mostram que a taxa de desocupação foi estimada em 13,2% no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2017, com altas de 1,3 ponto percentual frente ao trimestre móvel anterior (setembro a novembro de 2016, -11,9%) e de 2,9 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre móvel de 2016, quando a taxa foi estimada em 10,2%. Essa foi a maior taxa de desocupação da série histórica, iniciada em 2012.

Outros recordes negativos do mercado de trabalho segundo a pesquisa desde 2012 foram: maior valor absoluto da população desocupada, menor nível de ocupação (indicador que mede o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) e agricultura e construção têm o menor número de trabalhadores desde 2012.

Ainda, a população ocupada (89,3 milhões de pessoas) recuou tanto em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2016 (-1,0%, ou menos 864 mil pessoas), quanto em relação ao mesmo trimestre de 2016 (-2,0%, ou menos 1,8 milhão de pessoas).

Nesse contexto de crise do mercado de trabalho, Temer sancionou no dia 31 de março o projeto de lei que libera a terceirização irrestrita, enquanto brasileiros estavam nas ruas protestando contra as reformas. Estima-se que os efeitos da aprovação da lei para o mercado de trabalho sejam nefastos:

  1. com a precarização de contratos, salários e jornadas;
  2. com a redução de poder de consumo do trabalhador e agravamento da crise econômica e
  3. com o impacto na Previdência Social, devido à redução das contribuições com a generalização da terceirização

Para saber mais:

PNAD Contínua: taxa de desocupação chega a 13,2% no trimestre encerrado em fevereiro de 2017
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Fonte: Jornal GGN